O Psicodrama é uma abordagem terapêutica e pedagógica que pode ser apresentada por algumas caraterísticas muito marcantes:
Vejamos:
a. O foco no presente – no aqui e agora
Nossos problemas e dificuldades emocionais e de relacionamento normalmente se reportam a angústias sobre o passado ou à ansiedade sobre o futuro. As emoções, embora sejam referentes a fatos e situações do passado, estão no presente: é hoje, agora que elas incomodam. Então, por meio de técnicas, numa sessão de Psicodrama aceitamos que estas emoções estão e são presentes e trazemos os fatos do passado (onde foram geradas tais emoções incomodas) para o presente, os tratando como se estivessem aqui e agora. Criamos o que o Psicodrama chama de “realidade suplementar”. Mas estes fatos do passado, quando presentificados na sessão de psicodrama, não têm o mesmo grau de tensão na qual foram gerados e o participante é estimulado a criar novas respostas, agora mais adequadas, para tais situações.
Perdoar, agir diferente, dialogar, dar limites: do que esta situação precisava? Então fazemos isso nesta “realidade suplementar”: uma resposta criativa, mais adequada e espontânea. E esta ação terapêutica, embora realizada em “realidade suplementar”, acontece e passa a ser, em instantes, o “novo passado”: mais adequado, mais próximo do presente (portanto com uma presença/força maior), dando-nos possibilidade de nos abrirmos para este novo agir mais saudável. Deixando o passado real mais no passado, permitindo que o novo passado seja agora mais significativo e libertador.
b. Potencialidade – estratégias para o desbloqueio da espontaneidade e do potencial criativo (potencial para CRIAR novas respostas para a vida);
As emoções não estão apenas em nossa mente. Estão gravadas na memória de todas as nossas células e em cada tensão e/ou relaxamento de nossos gestos. São as marcas mnêmicas. Uma emoção altera a respiração, a qualidade e velocidade dos gestos, o tom de voz, muda a postura corporal. Quando temos um bloqueio para realizar algo, para desempenhar um papel, para se relacionar com alguém, sentimos emoções que nos tensionam, impedindo o livre fluxo energético e criativo.
O Psicodrama olha para os bloqueios e estas tensões. Usa algumas técnicas chamadas de iniciadores para dar conta de auxiliar o participante a tomar consciência do bloqueio e das tensões, e, conscientemente, modificar seu estado corporal e emocional para uma condição mais espontânea, livre.
É o estado espontâneo que auxilia as pessoas a conseguirem estar no presente, no aqui e agora, distanciando-se de estados de bloqueio. A energia espontânea é fluída e, quando atingimos tal estado, somos capazes de criar novas respostas para a vida: somos autores de nossa biografia, recuperando a capacidade de escrever a própria história. Liberamos o potencial criativo, não para uma obra de arte (como uma linda pintura), mas para criar vida, gerar novas respostas que nos permitam ser mais de si mesmos. Debloquear nosso POTENCIAL CRIATIVO ESPONTÂNEO.
c. Foco nas relações interpessoais e não apenas no indivíduo
“Nem um homem é uma ilha”. Não me recordo de quando ouvi esta frase pela primeira vez, mas ela faz total sentido. O Psicodrama, criado na década de 20, foi pioneiro em olhar para o ser humano como parte de uma rede de relações (muito antes de termos internet e redes sociais). Aprendemos a sermos humanos no primeiro grupo social que é a família (independente do modelo dentro da diversidade que temos hoje). Gradativamente aprendemos a desempenhar vários outros papéis na vida, para além do papel de filho ou irmão: aprendemos a ser estudantes, jogadores, motoristas, profissionais, cônjuge, entre outros infinitos papéis. E jogamos: para cada papel, interagimos com alguém ou alguéns que fazem os “contra-papéis”.
E como você aprendeu a jogar os seus papéis na vida? Quais você “joga” melhor (desempenha melhor)? Quais tem dificuldades? Como são os desempenhos qualitativos destes jogos de papéis? Será que dá pra mudar? É possível aprimorar? Sim. Para o Psicodrama esta é uma questão importantíssima.
Muitas vezes alguém procura o consultório por dificuldades em lidar com alguém (filhos, cônjuge, colegas/chefe de trabalho, entre outros). E, às vezes, as pessoas tem a ilusão de querer mudar o outro. Não é fácil mudar a si mesmo, imagine mudar o outro… mas… quando alguém muda a si mesmo e aprende a jogar os papéis de outras maneiras, obriga os outros a darem outras respostas em seu contra-pepel. Se eu mudo, as relações acabam mudando. É neste sentido que o Psicodrama atua, apostando que sempre a mudança de status está nas relações, no jogo entre papel e contra-papel, de forma sistêmica.
d. Ludicidade – o método de ação do Psicodrama ultrapassa o verbal, levando em consideração a integração entre o pensar, o agir e o sentir
Falar, muitas vezes, é onde colocamos nossas defesas, organizando racionalmente a realidade para não tocar em emoções difíceis e não modificar o que está cristalizado. Então em nosso consultório temos a possibilidade de criarmos cenários diversos, onde possamos entrar nas histórias que são compartilhadas como se estivessem acontecendo aqui e agora. São diversas técnicas que possibilitam a criação do que o Psicodrama chama de “realidade suplementar”. Podemos inverter papéis, aprimorar a capacidade de empatia. Podemos criar uma conversa com emoções. Voltar ou avançar no tempo. Fazer uma linha do tempo de um papel e avalia-la. São infinitas as possibilidades.
E elas tem como propósito nos auxiliar a ter outros olhares sobre a nossa própria história, criando um ambiente descontraído, aconchegante e íntimo, onde é possível olhar verdadeiramente para a biografia (até para as partes que eventualmente são obscuras). Um ambiente onde a tensão é diluída para dar lugar a espontaneidade, energia base para criarmos novas respostas para a vida.
Que tal dar-se a oportunidade de viver isso tudo?
Psicodrama é mais fácil de ser SENTIDO do que EXPLICADO. Por mais que eu tenha explicado aqui neste texto, é preciso viver a proposta do Psicodrama para compreender. O Psicodrama, há mais de 20 anos, mudou minha vida. Fica o convite para experienciar e buscar as mudanças que você quer ver em sua vida.